A grandiosidade das alegorias do Boi Caprichoso na busca pelo tricampeonato

O Portal de Parintins visitou o galpão central de alegorias do Boi Caprichoso na tarde desta sexta-feira, 21, sendo recebido pelo presidente do Conselho de Arte Erick Nakanome, pela conselheira Irian Butel e o pelo coordenador de comunicação Carlos Alexandre. Nosso passeio pelo “coração” artístico da Francesa e do Palmares foi guiado pela conselheira Irian Butel e acompanhado pelo fotógrafo Arleison Cruz.

Butel faz as primeiras instruções da visita: não pode filmar; fotos apenas as do fotógrafo da comunicação que serão repassadas posteriormente, captação de áudio liberada. Segundo a conselheira o projeto do azul e branco começou a ser formatado e fundamentado desde de setembro de 2018 e que chega até àquele momento – ao da visita – em sua fase final. A projeção, em relação ao projeto bicampeão, é superior em 20%. “Pensamos grandes, porque somos grandes e grande é o nosso sonho. Nosso projeto é do tamanho da expectativa e exigência do nosso torcedor: gigantesco”, frisa Butel.

A primeira obra mostrada e explicada é a do início do espetáculo, a que irá dá o tom do que é essa mátria brasilis defendida pelo bumbá: Yebá. Em toda a sua representatividade no universo mítico dessana, a genitora da vida e do mundo: a grande matriarca que tudo criou de sua luz. Apenas o central foi apresentado sem maiores detalhes da alegoria.

Gereca Pantoja que este ano “estreia” fazendo um lenda amazônica – ano passado fez o módulo do guerreiro e que começou aos 16 anos cria da escolinha de arte – “Caximarro: As Três Guerreiras” (Geovane Bastos) falou de sua expectativa com o trabalho realizado pela sua equipe formada por doze pessoas, neste sentido relatou que o diferencial de sua equipe é a união e que conseguiu montar um time muito bom “Eu trouxe o Darlei um soldador que morava em São Paulo, na parte de escultura, pintura, acabamento e decoração são muito competentes e visam sempre a qualidade e juntado tudo isso conseguimos fazer esse trabalho.”, relata Pantoja. A alegoria que encanta por sua plástica e qualidade mede 28 metros de boca de cena por 15 metros de fundo e atingirá 22 metros no ápice de sua apresentação.

Cercada de segredo e mistério a figura típica e exaltação folclórica assinada pelo artista Neizinho Meireles e marcada pela qualidade do acabamento, a harmonia entre materiais tão diferentes que vai do rústico ao moderno numa única peça. “Por ser duas alegorias em uma, temos duas decorações diferentes. Temos uma decoração de figura típica bem amazônica, bem rústica e num segundo momento temos a exaltação mais moderna, futurista e luminosa”, enfatiza o artista. Uma alegoria de 22 metros de boca de cena por 22 de profundidade e 23 metros de altura – com coroa! – Deixou escapar essa informação.

Assinando uma das aberturas do bumbá o artista Adenilson Pimentel – o Preto – explica sua alegoria. “Esse ano estamos trabalhando o contexto da fé, tanto a fé católica com Nossa Senhora, da fé da Umbanda com Iemanjá quanto da fé indígena com a cabocla. A fé dos povos, além de outras surpresas.”, salientou.  A peça principal irá chegar 22 metros o limite da treliça (armação de ferro) do Bumbódromo.

O ritual mais aguardado e que mexe com a imaginação e a expectativa da galera azulada, sem dúvida nenhuma, é “Waiá-toré” (Ronaldo Barbosa Jr.) é assinado pelo artista Kennedy Prata que faz um desabafo no início de sua fala: “Esse ano será tudo perfeito. Me sinto devedor da nação azul e branca pelos fatos que aconteceram no passado devido o incidente, mas esse ano eu venho para pagar estes dois anos”. Prata fará o primeiro ritual indígena com viés afro no festival, a plástica, a expressividade das peças é impressionante. A alegoria mede 32 metros de boca de cena por 20 metros de profundidade e atingirá 16 metros de altura que contará com interatividade das tribos, elementos cênicos e alguns detalhes devidamente cobertos.

Outro ritual do azul e branco “Favorável Sentença” (Ronaldo Barbosa” é assinado pelo artista Algles Ferreira – estreando no item Ritual, ano passado fez a lenda Sissa – ele comentou sobre essa “promoção”. “O Erick (Nakanome) me deu essa grande missão, meu objetivo sempre foi fazer lenda eu gosto de fazer lenda. E desde ano passado ele me dizia que iria fazer ritual e encaramos como desafio e estamos atendendo ás expectativas da diretoria e do Conselho”. O artista aponta que é a terceira geração de artistas e apesar de jovem é responsável, é caprichoso e ama esse boi. Destacou que sua equipe e trabalho são marcados pelo acabamento, pelo esmero nos detalhes, pela pintura de arte e que não pode deixar a desejar. “Tenho essa grande responsabilidade, não posso me dá o direito de falhar eu preciso ser excelente, fazer um trabalho de excelência. Eu vim lá de trás, então não posso deixar essa peteca cair. Acho que tudo que estamos aqui é para torcedor, mas também e muito para e pelo Erick porque ele apostou na gente. É uma forma de retribuir essa aposta dele”. O ritual possui um dos maiores centrais do galpão, ao todo a estrutura possui 32 metros de boca de cena por 18 metros de fundo e 22 metros de altura.

A toada mais bonita e comentada desta temporada “Matriarca” – um clássico – (César Moraes) que será exaltação folclórica e figura típica regional assinada pelo artista Makoy Cardoso. É dele o maior central, talvez do festival, do Boi Caprichoso com 25 metros de altura – três a mais do limite da estrutura de ferro do Bumbódromo – neste sentido o artista cutuca: “Tudo depende do abuso do contrário. Já aumentei a cruz! Se eles abusarem muito a gente abusa mais ainda”. Num primeiro momento de figura teremos 23 metros de boca de cena e no segundo na exaltação “Meus Deus, é Maria (Ronaldo Barbosa Jr.) chegará a 46 metros de boca de cena por 26 metros de fundo. O artista comentou a responsabilidade desde trabalho: “É muito grande devido a toada ter caído no gosto da galera, não só azul e branca. O Erick disse para mim toma que a filha é tua e graças a Deus estamos finalizando apesar das dificuldades enfrentadas. Estamos vestindo nossa mãe, Nossa Senhora do Carmo, essa peça será a primeira a sair do galpão em um cortejo de todo o galpão e trabalhadores. Ela vai abrir os caminhos”. O artista destacou a qualidade técnica de sua equipe, muitos foram campeões no carnaval de São Paulo e emociona-se profundamente ao falar de seu central. “O Ericky me deu um presente, Não era essa alegoria que seria minha, passei por um problema de saúde e do acidente de carro e disse Matriarca é tua. Não sei como será na arena, eu me emociono todos os dias neste galpão com a nossa santa”, finalizou.

“Nénia – As Três Preces” é assinada pelo artista Carivardo Vieira, a maioria dos módulos da estrutura está na rua em frente ao galpão devido à falta de espaço no mesmo. É uma corrida contra o tempo – relógio e clima – mas, o artista assegura que tudo estará pronto. “Em Juruti anoitece no ferro e amanhece finalizada. A gente sabe trabalhar nessas condições, temos a técnica e experiência que nos deixa muito tranquilo”, frisa. O artista ressalta que essa é a melhor alegoria que sua equipe fará. Uma alegoria diferente, diferenciada com bases separadas para interação cênica-coreográfica que possui 40 metros de boca de cena por 25 metros de fundo e 21 metros de altura.

A alegoria que mais chamou atenção pela sua beleza plástica e proporção em sua “categoria” foi a da figura típica regional “Trilha da Mata” do artista Alex Salvador. A maior FTR que o galpão do Caprichoso já produziu. Simplesmente magnifica e imponente. Infelizmente o artista não estava presente ao galpão quando da nossa visita, mas fica o registro pela surpreendente visão.

imagem: Reprodução

Fonte: Portal de Parintins