Amazonas tem as três cidades com maior proporção de eleitores solteiros do Brasil, aponta TSE

Amazonas têm mais de 90% dos eleitores declarados solteiros no país. O levantamento foi feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as Eleições 2022 e apontou o alto número em Jutaí, Tonantins e Atalaia do Norte.

De acordo com os dados, a cidade com a maior proporção de eleitores declarados como solteiros é Jutaí, com 13.177. O número representa 91,69% de todos os 14.371 eleitores registrados no município , conforme o TSE.

A segunda cidade com maior número de solteiros registrados para as Eleições 2022 é Tonantins, com 9.650 eleitores. O total de registros no município foi de 10.593. O levantamento aponta que 91,10% dos eleitores da cidade são solteiros.

O município de Atalaia do Norte, registrou 8.240 eleitores declarados solteiros em toda a cidade. Este número representa 91,09% do total de eleitores registrados em todo o município, que foi de 9.046, segundo os dados divulgados pelo TSE.

Total de eleitores registrados e eleitores declarados solteiros nos municípios do AM
Atalaia do Norte, Jutaí e Tonantins são municípios com mais de 90% dos eleitores declarados solteiros.
Eleitores14.37114.37113.17713.17710.59310.5939.6509.6509.0469.0468.2408.240Registrados em JutaíSolteiros em JutaíRegistrados em TonantinsSolteiros em TonantinsRegistrados em Atalaia do NorteSolteiros em Atalaia do Norte05k10k15k20k
Fonte: TSE-AM

Índice é influenciado por falta de registros

 

De acordo com o cientista político Helso Ribeiro, o alto número de eleitores declarados solteiros nas cidades acontece devido a um comportamento comum em municípios do interior do estado. Segundo ele, muitas pessoas vivem com cônjuges, mas não alteram seus registros nos documentos.

“É muito comum, no interior do Amazonas, as pessoas viverem em união estável. Quando elas renovam as documentações delas, o estado civil permanece. Pode até ser considerado um costume. Elas vivem em união estável, quando vão tirar um documento e preencher o estado civil colocam como solteiro”, comentou Ribeiro.

 

Apesar da prática nos municípios citados no levantamento do TSE, o cientista político também vê os altos índices como anormais. Para ele, a conclusão para que os dados sejam tão grandes nas cidades mencionadas é que os matrimônios, na maioria, não são oficializados.

“Nem todo mundo casa com documento. Muitas vezes casam na igreja e a igreja não passa os dados para o cartório. Tem muito disso, aquele casamento religioso não é registrado em cartório. A pessoa se diz casado, mas na documentação não está constando”, apontou o cientista político.

G1AM