Após longo dia de cerimônias e homenagens, rainha Elizabeth II é sepultada em Windsor

“Elizabeth II 1926-2022.” A inscrição simples, no túmulo da rainha Elizabeth II, não fez jus ao longo dia de cerimônias e despedidas solenes, acompanhadas por milhares de súditos, que se aglomeraram em vários pontos da capital, Londres, e de Windsor, a 40 quilômetros dali, para dar seu último adeus à monarca, que reinou por 70 anos.

Foram 11 dias de adeus até que, nesta segunda-feira, o corpo de Elizabeth II, morta aos 96 anos, foi finalmente sepultado junto ao do príncipe Philip, seu marido por 74 anos, que morreu em abril do ano passado, na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor. O sepultamento teve a presença apenas dos parentes mais próximos, na única cerimônia do dia que não foi televisionada. Elizabeth II foi a 11ª integrante da realeza britânica enterrada na capela, ao lado de seu pai, o rei George VI; sua mãe, a rainha consorte Elizabeth; e sua irmã, a princesa Margaret.

O longo dia de cortejos e cerimônias foi marcado por um clima solene e de tristeza, e começou às 11h (7h no Brasil) em um funeral de Estado na Abadia de Westminster para quase 2 mil participantes, que incluíram centenas de governantes e monarcas de todo o mundo, como os presidentes dos EUA, Joe Biden, e do Brasil, Jair Bolsonaro, além do rei da Espanha, Felipe VI, e o imperador do Japão, Naruhito.

O sermão foi do arcebispo da Cantuária, Justin Welby, que exaltou a vida da rainha e sua liderança. A igreja é a mesma na qual a monarca se casou, em 1947, e foi coroada, cinco anos depois.

— Sua majestade declarou celebremente em uma transmissão no seu aniversário de 21 anos que sua vida inteira seria dedicada a servir à nação e à Comunidade Britânica — disse Welby, autoridade religiosa máxima da Igreja Anglicana. — Raramente uma promessa foi tão bem cumprida.

A “segunda era elisabetana” — uma referência à rainha Elizabeth I, monarca de 1558 a 1603 — terminou simbolicamente durante o funeral, quando o barão Andrew Parker, que hoje ocupa a posição de camareiro-mor, o mais alto funcionário da Casa Real, quebrou o bastão da governante, num gesto que marca o fim do reinado. Antes, o joalheiro real removeu a coroa imperial, o orbe (globo terrestre) e o cetro da rainha, apoiados em cima do caixão. As joias foram postas no altar pelo decano de Windsor, representando a passagem de poder.

Na parte final da cerimônia na abadia, todo o país respeitou os dois minutos de silêncio, nas ruas, parques e pubs, onde muitos acompanharam a cerimônia pela TV — 125 cinemas abriram as portas para transmitir o funeral.

O caixão deixou, então, a abadia, em procissão em uma carreta de armas, passando pelo Arco de Wellington, perto do Hyde Park, sua última parada em Londres até ser conduzido a Windsor para o sepultamento.

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