Botafogo abre 2 a 0, mas Fluminense arranca empate no Maracanã com brilho de Matheus Martins

O ‘Clássico Vovô’ do Maracanã foi digno de dois clubes que estão brigando por vagas na Libertadores. Claro, ficará a decepção pelo lado do Botafogo por ter aberto 2 a 0 no placar e não ter segurado a vantagem, mas tanto a construção do resultado quanto a reação do Fluminense mostra porque os cariocas estão sonhando com voos mais altos neste Brasileiro. No Maracanã, o 2 a 2 foi justo para pontuar a evolução alvinegra após a chegada de reforços e a um tricolor que ressurgiu na partida e saiu das cinzas para evitar uma derrota que parecia definida.

Os técnicos Luis Castro e Fernando Diniz terão que falar aos seus atletas sobre como não “girar a faca” em clássicos pode comprometer todo um trabalho construído. Os alvinegros irão se lamentar pelas chances perdidas, principalmente por Tiquinho Soares e Jeffinho, quando a vantagem de 2 a 0 já aparecia no placar. Enquanto os tricolores irão comemorar o brilho de Matheus Martins, de apenas 19 anos e que está na mira da Udinese-ITA, que entrou no segundo tempo para sofrer um pênalti e marcar o gol que decretou o empate. Mas sem esquecer da péssima partida coletiva.

Não é surpreendente que o Botafogo tenha aberto o placar através de um erro defensivo do Fluminense. Esse, aliás, foi o ponto chave da partida. Alvinegros e tricolores se moldaram para buscar essas oportunidades durante os 90 minutos. Dentro de campo, os caminhos estavam facilmente desenhados: um lado tentava construir as suas jogadas com toque de bola e o outro apostava em seus bons cruzadores e cabeceadores.

O Fluminense até jogou bem por 45 minutos, mas viu seu lado tático e mental ruir gradativamente. Teve chances para ter um placar a seu favor. Tanto que o tricolor poderia ter aberto o marcador com Germán Cano, que acertou a trave, ou Jhon Arias, que finalizou rente a trave. A falta de capricho nas finalizações deu munição para o Botafogo. Não rodou a faca quando pôde.

Pelo lado alvinegro, a construção ofensiva parecia uma dança com passos sincronizados e marcados. A bola girava de um lado para o outro até que Marçal observava se Tiquinho Soares e Junior Santos estavam no dois contra um diante de um zagueiro tricolor. Manoel e Nino eram os alvos. Pelo alto, os cruzamentos até davam trabalho, mas eram interceptados sem maiores problemas. A dupla não contava é que um que viria por baixo seria decisivo para abrir o placar.

Após bola mal afastada, Júnior Santos chutou cruzado para Eduardo pegar de primeira e mandra no cantinho de Fábio. Em meio a comemoração, vale uma nota à parte: o árbitro Ramon Abbatti Abel paralisou a partida pouco após o reinício por conta de sinalizadores acesos na torcida alvinegra. Esfriou o jogo e não permiti que o Botafogo aproveitasse o momento em que o Fluminense estava mais abatido no primeiro tempo.

Então, veio um erro estratégico que acabou sendo decisivo para um baile alvinegro na segunda etapa. É comum que Fernando Diniz improvise André como zagueiro e coloque mais um meio-campista para ajudar ao ataque. Foi assim na Copa do Brasil, contra Fortaleza e Corinthians. O problema é que a substituição veio no intervalo, contra um Botafogo já talhado para explorar os contra-ataques. Jeffinho precisou de apenas uma jogada de qualidade para aproveitar a deficiência de uma defesa exposta e chapar no canto de Fábio. A partir dali, poderia ser uma goleada do Botafogo.

Outro erro estratégico que passou a ser explorado pelo ataque alvinegro era a baixa estatura da defesa tricolor. Samuel Xavier (1,67m), Nino (1,88m), André (1,76m) e Calegari (1,71m) eram facilmente superados pelo alto e no jogo de corpo por Tiquinho e Junior Santos. Eram o elo entre defesa e ataque nos contra-ataques, que vinham aos montes. O tricolor não teve antídoto.

Tiquinho chegou a marcar o terceiro, mas estava impedido no lance. Jeffinho perdeu uma chance clara para ampliar. Sem “girar a faca”, viu o brilho de Matheus Martins resgatou o tricolor.

Completamente desordenado e bagunçado, o Fluminense ignorou a parte tática e apostou no abafa e no apoio da torcida. Encontraria um pênalti em jogada individual do atacante de 19 anos. Paulo Henrique Ganso cobraria para trazer um resquício de esperança para o lado tricolor. Minutos depois, o empate veio dos pés de Matheus Martins, que aproveitou o bate e rebate na área para acertar uma linda finalização.

A joia tricolor está na mira da Udinese-ITA, que ofereceu 8 milhões de euros (cerca de R$ 41 milhões) por 90% dos direitos, o Fluminense pediu 9 milhões de euros (cerca de R$ 46 milhões) por 85%.

Em poucos minutos, o Fluminense saiu de um adversário facilmente batido para apto a conseguir a virada. Faltou tempo.