Brumadinho (MG) ganha megapintura do artista plástico francês Saype

Brumadinho, MG, recebe megapintura de artista plástico francês

Palco de um dos maiores desastres ambientais e humanos do Brasil, Brumadinho, em Minas Gerais, está entre as 30 cidades do mundo escolhidas para receber uma megapintura que representa a união.

No campo de futebol para onde os helicópteros traziam os corpos resgatados na lama da barragem da Vale, ninguém mais brinca. É como se tivesse ficado manchado pela tragédia de 25 de janeiro de 2019.

“Perdi um bocado de amigo aí também; muitos amigos, desde infância. Nós ‘brincava’ direto aqui. Aqui era lugar bão”, relembra Rafael Soares. “Primeira vez que eu venho aqui agora, depois de tudo nesse campo”, conta a dona de casa Marcia Francisca dos Santos.

Enquanto os moradores de Brumadinho tentavam encontrar as vítimas e recomeçar, do outro lado do mundo, Guillaume Legros, um enfermeiro francês, decidiu trocar o cuidado diário com pacientes pela cura que a arte pode trazer. Deixou o branco pra vestir preto e misturou as duas cores com compressor.

Conhecido como Saype, uma contração da expressão “Say Peace”, que em inglês significa “Diga Paz”, o artista plástico escolheu o gramado de Brumadinho como uma das telas para pintar a imagem gigante que há três anos espalha pelo mundo. A tinta é biodegradável, feita com tipos específicos de giz e carvão vegetal.

Visto do chão, o resultado do trabalho parece um emaranhado de tintas, mas, visto do alto, dá pra ver exatamente a mensagem que o artista quer transmitir.

“Quando eu viajo ao redor do mundo, eu tiro fotos de mãos e eu corto as mãos aqui. Eu não lembro de onde elas são. Isso fala sobre a universalidade, e eu coloco todas as pessoas que eu conheço no mesmo nível. Pessoas famosas, pessoas sem-teto”, explica Saype.

 

O Beyond Walls, que quer dizer “além dos muros”, começou em Paris. Passou por outras cidades da Europa, do Oriente Médio e da África até chegar ao Rio de Janeiro. De lá, foi pra Minas.

“Quando eu comecei a trabalhar no Rio, a produtora me disse que uma tragédia aconteceu três anos atrás: uma barragem de mineração caiu e mais de 270 pessoas morreram. E eu pensei: ok, eu posso fazer alguma coisa”, relembra o artista.

 

Daqui, artista e equipe seguem viagem pelo mundo. Eles ainda querem ir para mais 14 cidades para ressignificar outros lugares.