Cantora de ‘Beijinho doce’, Marilene, da dupla As Galvão, morre aos 80 anos

A cantora Marilene, da dupla sertaneja As Galvão, morreu, na tarde desta quarta-feira, em Paraguaçu Paulista (SP) aos 80 anos. A artista e sua irmã foram famosas intérpretes da canção “Beijinho doce”, cantada por Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Claudia Raia) em “A favorita”, em reprise no “Vale a pena ver de novo”. A causa da morte não foi divulgada e o corpo da sertaneja vai ser velado na quinta-feira, em Paraguaçu Paulista.

Duas das vozes marcantes que já interpretaram a música, as Irmãs Galvão anunciaram no ano passado o encerramento da dupla sertaneja após 74 anos. Mary Galvão contou que a irmã, Marilene, foi diagnosticada com Alzheimer há alguns anos e o avanço da doença estava fazendo com que ela esquecesse as letras.

As Galvão era a dupla sertaneja mais antiga do Brasil em atividade. Mary e Marilene começaram a se apresentar com 7 e 5 anos de idade, respectivamente, na Rádio Club Marconi, de Paraguaçu Paulista, interior de São Paulo, incentivadas pelos pais, uma costureira e um alfaiate, que cuidavam para que as meninas estivessem sempre impecáveis em cena.

— Lembro bem a primeira música que cantamos juntas, em 1947: “La ultima noche que pasé contigo”. Era um tango pornográfico! (risos). Naquela época, não tinha música para criança, não existia a Xuxa. Então, a gente repetia as canções que faziam sucesso. Acho que agradamos por sermos fofinhas, pequenininhas, afinadas. A emissora decidiu fazer da gente uma dupla profissional — contou Mary ao EXTRA, aos 77 anos, em 2017.

A longeva carreira da dupla foi comemorada em 2017 com o lançamento de um livro, “Dossiê As Galvão” e um documentário chamado “Eu e minha irmã – a trajetória das Irmãs Galvão”. Elas também lançaram seu primeiro DVD, “As Galvão – Soberanas”, com a presença de outros sertanejos como Daniel, Chitãozinho & Xororó, Sérgio Reis, Marciano, Dani & Danilo e Guilherme & Santiago. As cantoras também já haviam sido homenageadas em 2013, com um memorial em Sapezal, distrito de Paraguaçu Paulista, onde elas iniciaram a caminhada profissional.

— Não conheço outros artistas que tenham tido esse reconhecimento em vida. As coisas devem ser feitas e faladas enquanto a gente ainda está aqui para ver. Os artistas precisam saber que são importantes para a música nacional em vida. Os brasileiros deveriam prestar mais atenção nisso!

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