Em comício em Belo Horizonte, Lula repete ataques a Bolsonaro e diz que não fará privatizações

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à Presidência da República, reuniu militantes e apoiadores no início da noite desta quinta-feira (18) em um comício em Belo Horizonte, na Praça da Estação. Ele repetiu ataques que já fez nesta semana ao presidente Jair Bolsonaro, seu rival na disputa, e disse que, em um eventual governo, não vai privatizar as grandes empresas e bancos públicos.

Lula subiu ao palanque ao lado do candidato ao governo de Minas Gerais Alexandre Kalil (PSD). Estavam no palanque também o candidato a vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB); o candidato a vice-governador de Minas Gerais, André Quintão (PT); o senador Alexandre Silveira (PSD); e o deputado federal André Janones (Avante).

Ao falar de Bolsonaro, Lula disse que se trata de “uma pessoa desequilibrada mentalmente”.

“Ele [Bolsonaro] está mais para fariseu do que para cristão”, disse Lula. “Estamos enfrentando uma pessoa desequilibrada mentalmente. Estamos enfrentando uma pessoa desestruturada do ponto de vista psicológico”, continuou o ex-presidente.

Para Lula, esta não é uma campanha “normal”, e a disputa é da democracia contra o fascismo.

“Nós não estamos fazendo uma campanha normal, não é uma campanha comum, não é um partido contra outro partido, não é uma ideia contra outra ideia, o que está em jogo nesse instante é a democracia contra o fascismo, o que está em jogo nesse instante é a democracia ou a barbárie”, argumentou.

O ex-presidente reforçou que pretende impulsionar a industrialização do país e que um meio de atingir esse objetivo é manter as grandes empresas e bancos públicos sob o domínio do Estado.

“Nós vamos recuperar a indústria brasileira, e a Petrobras não será mais privatizada. O Banco do Brasil não será privatizado. A Caixa Econômica não será privatizada. O BNDES não será privatizado. Esses bancos públicos estarão a serviço do desenvolvimento desse país. E os Correios também não serão privatizados”, defendeu Lula.

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Disputa por Minas

 

A coordenação da campanha petista escolheu Belo Horizonte para fortalecer a presença de Lula no estado e na campanha de Kalil. Na terça-feira (16), primeiro dia oficial da campanha, o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um comício em Juiz de Fora (MG).

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o estado é o segundo maior em número de eleitores do país. São mais de 16 milhões de eleitores ou 10,4% do eleitorado brasileiro.

Em seu discurso, Alckmin buscou fazer um afago aos mineiros.

Aos mineiros, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin declarou que a democracia brasileira está “sob ataque”.

“É uma alegria voltar à minha terra, a terra das Gerais, para dizer a vocês que o Brasil, a democracia brasileira está sob ameaça, e esta é a terra da liberdade. Em Minas Gerais se respira liberdade, e é nesta terra da liberdade que nós começamos essa campanha cívica ao lado do governador Kalil”, afirmou o vice de Lula.

Segurança reforçada

 

O comício na Praça da Estação marca também um endurecimento do esquema de segurança na campanha petista. Segundo o PT, o monitoramento foi reforçado pela Polícia Federal com o apoio da Polícia Militar de Minas Gerais e da Guarda Municipal belorizontina. Atiradores de elite e drones também estarão no apoio.

Lula chegou a Belo Horizonte no início da tarde. Antes do comício, o ex-presidente participou de encontros políticos em Belo Horizonte. Em um deles, reuniu-se com integrantes da executiva nacional do Avante. Segundo o líder do partido na Câmara e candidato a vice-governador de Pernambuco, Sebastião Oliveira, o partido apresentou propostas para o plano de governo da chapa Lula-Alckmin.

Ao final do discurso, o ex-presidente quebrou o protocolo. Ainda no palco, ele se dirigiu aos responsáveis pela segurança para “criar condições” e permitir a descida do petista ao público. Poucos minutos depois, Lula desceu do palco cercado pela equipe de segurança.

“Quero pedir um favor para o pessoal da segurança. Quero pedir um favor. Na minha frente, tem um menino cadeirante. Este menino está cantando desde a hora que cheguei aqui. Então, não posso ir embora sem descer ali e dar um beijo. Vocês cuidem de criar as condições, porque vou descer aí para dar um beijo nele”, disse.

G1