Garantido apresenta o povão em seu primeiro ensaio técnico

Uma mensagem clara, simples e objetiva foi dada pelo Boi Garantido em seu primeiro ensaio técnico aberto ao público no curral Lindolfo Monteverde, em Parintins. Embora não tenha sido explicitamente dita, ainda assim, a mensagem é facilmente assimilada: “Muito prazer, meu nome é povão! E esta é minha aldeia. Aldeia cultural! De muitas caras, vozes, cantos e sotaques. Prazer! Sou povo e o povo de mim emana. Sou a gênese, o fruto e a herança da Baixa do São José. Sou perreché; Sou do Curuatá; Sou uma rubra legião de loucos apaixonados; Sou o povo do garrote. Sou folclore, cultura, fé e tradição: nasci pra ser vermelho e ser povão. Essas muitas caras de muitos cantos e vozes somos nós, o povo!”.

Essa foi a narrativa subtendida na sequência de abertura do ensaio com um Israel Paulian comedido e impecável. Após, a sequência de “Meu Nome é povão”, “Povo do Garrote” (Adriano Aguiar) e “Legião Vermelha” (Adriano Aguiar) um ar misterioso tomou a apresentação era a lenda “Sete Espíritos” (Adriano Aguiar) que levantou a galera e trouxe a Cunhã-poranga Isabelle Nogueira para sua evolução impecável.

Povo Amazônia (Fred Góes/ Marcos Moura/ Adriano Aguiar/ Alder Oliveira e Enéas Dias) foi a celebração folclórica apresentada antes que o clima tribal retomasse a cena com a apresentação dos tuxauas. Puxando, dançando e interagindo com as tribos – nada delas foi mostrado, sequer as marcações e coreografias – A graça tomou conta do lugar e  a sinhazinha da fazenda chegou. Djidja flutuou e sobrou.

Com ela veio o Amo do Boi e o Boi Garantido. Aliás, Gaspar Medeiros surpreendeu, positivamente, muitos no curral. Ao que tudo indica encontrou -se no item.

Concorrendo ao item coreografia, a trilha sonora de “Rosas Vermelhas” (Enéas Dias/Marcos Moura e João Kennedy). A figura típica regional apresentada foi “Povo de Fibra” (Geandro Pantoja / Demétrius Haidos e Jacinto Rebelo) que trouxe a Rainha do Folocre Brenda Beltrão mostrando porque gabaritou em 2018, com um show de simpatia e elegância em seus movimentos.

A porta-estandarte Edilene Tavares surge para reafirmar o povo, afinal ela é da Baixa. Demonstrando muita garra, força e vibração.

Os “Korubo” fizeram um momento especial na celebração indígena. O ritual apresentado foi “Kawahiva” (Demetrius Haidos e Vanderlei Alvino) que serviu de preparação para a apresentação do pajé Adriano Paquetá, o queridinho da Baixa, mais uma vez ser ovacionado por sua performance.

Na apoteose, o povo do garrote diz e canta que seu nome é povão.

Um ensaio marcado pela qualidade musical (Sabestião Jr. em seu melhor estilo – cantou muito! – trilhas, som límpido, banda afiada e batucada irrepreensível). E pelo fato de que foi um ensaio “fake”, feito pra despistar. Para passar a mensagem de que está vivo, firme, forte e armado até os dentes para a disputa.

Pela reação da galera antes, durante e depois  do ensaio o objetivo fora alcançado com sucesso.

Fonte: Portal de Parintins