Garcia vira alvo de Haddad e Tarcísio em debate com candidatos ao governo de SP

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), foi o principal alvo do debate promovido neste sábado por um pool de veículos de comunicação entre os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes. Depois de subir quatro pontos na última pesquisa Datafolha de intenção de votos divulgada na semana passada, o tucano acabou sendo fustigado tanto pelo candidato do PT na corrida estadual, Fernando Haddad, quanto pelo ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), que representa o governo Jair Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Haddad buscou fustigar o atual governador paulista por conta da elevação de impostos promovida durante a pandemia de Covid-19, na gestão do ex-governador João Doria (PSDB), além de criticar o atual chefe do Executivo paulista por, supostamente, esconder padrinhos políticos e a atuação em governos passados, como a gestão Celso Pitta.

— Rodrigo tem mania de esconder que foi do governo Pitta, do governo Kassab, onde aconteceu o maior escândalo de corrupção da história da cidade, do governo Doria — disse Haddad, acrescentando que Garcia quer “varrer o passado quando te interessa” e “capturar os programas feitos por outras pessoas”. — Você aumentou o ICMS dos produtos da cesta básica, da carne, do calçado, de medicamentos, durante a pandemia. E agora você vai se arrependendo do que fez com idosos e aposentados e vai voltando atrás, em vez de assumir que errou — disse Haddad, em referência ao anúncio de Garcia de retomada da gratuidade da tarifa do transporte público para idosos, medida restrita a pessoas de 60 a 64 anos na faixa de pobreza e extrema pobreza.

O governador tucano respondeu a ofensiva do petista afirmando que Haddad, enquanto prefeito de São Paulo, também aumentou taxas, e citou como exemplo o IPTU.

— Só não aumentou mais porque o STF (Supremo Tribunal Federal) barrou seu aumento. Quem entende de imposto, taxa, de cobrar mais da população, é você — respondeu Garcia.

Para se defender dos ataques de Haddad e Tarcísio sobre o corte de direitos e aumento de impostos, Garcia citou que São Paulo vive de “responsabilidade fiscal” e que os candidatos do PT e do Republicanos “não sabem o que é isso”. O tucano ainda tentou se descolar de Doria e de medidas impopulares tomadas por ele na pandemia alegando, em diversos momentos do debate, que só está com a “caneta” de governador há cinco meses.

Câmeras em uniformes de PM

Tarcísio protagonizou um embate com o governador paulista em torno da utilização de câmeras em uniformes de policiais militares. O ex-ministro disse que a medida passa a sensação de que o estado está “desconfiando” dos policiais. E defendeu a adoção de outros parâmetros para além da letalidade:

— Quero que o policial esteja em situação de igualdade com o bandido. Não podemos permitir o policial em situação de desvantagem. Quero que o policial tenha vantagem, tenha respaldo do estado, porque a segurança pública tem muito a ver com dissuasão. Bandido tem que perceber que a polícia tem respaldo, respeito — disse o candidato do Republicanos.

Garcia respondeu que vai continuar com o investimento e afirmou que outros governadores o procuraram para saber mais sobre a medida. Tarcísio rebateu:

— Pergunta se o cidadão está tranquilo com tanto roubo de celular, de moto, de carga.

Companhias de Tarcísio

Candidato de Bolsonaro na disputa em São Paulo, Tarcísio precisou responder sobre suas companhias. Entre elas, o ex-presidente Fernando Collor (PTB), que o ex-ministro chamou de “um dos maiores políticos que nós já tivemos”; o ex-deputado Eduardo Cunha (PTB), condenado na Lava-Jato que esteve presente na convenção do Republicanos que lançou Tarcísio; e Frederico d’Avila (PL), deputado estadual que chamou o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, de “canalha” e “safado” e disse que o papa Francisco é “vagabundo”.

— Anda com deputado que bate em mulher. Anda com deputado que fala mal do papa. Anda com deputado corrupto, Eduardo Cunha, elogia Fernando Collor de Mello. Mais um Celso Pitta a gente não aguenta — afirmou o candidato do PDT, Elvis Cezar, que também questionou os repasses da pasta de Tarcísio a São Paulo: — O candidato foi o ministro da Infraestrutura que destinou o menor percentual de investimento para São Paulo em seu orçamento. Deixou São Paulo por último de todos e destinou mais dinheiro para o Acre e para Roraima, que são menores do que a cidade em que eu nasci, Carapicuíba (SP). Isso é sabotar o direito do povo paulista — afirmou o ex-prefeito.

Intenção de ajudar

Em entrevista a jornalistas na chegada ao debate, Tarcísio disse que é comum gravar vídeos para candidatos da base aliada e que ele sempre o fez na “intenção de ajudar”. O ex-ministro disse que nunca falou com Cunha e que d’Avila foi infeliz na declaração e tem que pedir perdão e ser perdoado.

As companhias do candidato de Bolsonaro também têm sido abordadas em propagandas eleitorais de Garcia. Em uma das mais recentes, o governador associa Tarcísio ao deputado Douglas Garcia (Republicanos), que agrediu verbalmente e hostilizou a jornalista Vera Magalhães em debate na semana passada. Tarcísio rechaçou a atitude do parlamentar bolsonarista.

Garcia mira Haddad

Garcia mirou Haddad no segundo bloco do debate, citando o corte de verba da operação delegada e da ronda escolar.

— Quando você foi candidato à reeleição, você não perdeu para seu adversário, perdeu para votos brancos e nulos, mostrando que você não foi um bom prefeito. Ficou muito famoso na época as filas de creche, filas na área da saúde, mas o que as pessoas esquecem, e vou lembrar aqui, é que você cortou dinheiro da operação delegada de policiais e cortou a ronda escolar — disse Garcia.

O debate é o primeiro após Garcia crescer nas pesquisas e aparecer tecnicamente empatado com Tarcísio. Segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, o governador tucano cresceu quatro pontos percentuais em relação ao último levantamento, de 1º de setembro, e agora está com 19%. O candidato de Bolsonaro, por sua vez, marca 22% das intenções de voto. Haddad lidera, com 36% das intenções de voto.