Julgamento do acusado de matar jovem de 17 anos em Manaus é suspenso

O júri popular do caso Michael Saboia teve a sessão suspensa, por determinação da juíza Ana Paula de Medeiros Braga Bussulo. A previsão é que o julgamento seja retomado às 8h30 desta sexta-feira (19), no Fórum de Justiça Henoch Reis, em Manaus.

Michael Saboia de Souza Xavier, acusado de matar Heloísa Medeiros da Silva, de 17 anos, no Centro de Manaus, começou a ser julgado pela Justiça nesta quinta-feira (18). Durante interrogatório hoje à tarde, ele disse estar arrependido do crime e pediu perdão à mãe da vítima.

O assassinato ocorreu em dezembro de 2019. O réu responde pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver.

A promotora de justiça Clarissa Moraes Brito está representando o Ministério Público com assistência da defensora pública Aline de Azevedo. O advogado Fabiano Cortez de Negreiros está atuando na defesa do réu.

Foram convocadas oito testemunhas entre acusação e defesa. A primeira testemunha foi a delegada de polícia Cristiane Raquel Perimazze, plantonista da Delegacia de Homicídio no dia do crime e que atendeu a ocorrência.

Até 13h desta quinta-feira, quando a sessão foi suspensa para almoço, tinham sido ouvidas quatro testemunhas, sendo três de acusação e uma da defesa.

Após o almoço foram ouvidas mais três testemunhas de defesa, sendo que uma foi dispensada e, em seguida, às 14h25, começou o interrogatório do réu Michael Saboia.

Michael Saboia foi preso e é o principal suspeito de ter assassinado Heloísa Medeiros, em Manaus — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Ele contou que houve uma desavença com a vítima após ter atendido uma ligação de outra mulher. Segundo Michael, durante o interrogatório, disse ter segurado Heloisa por um dos pulsos e a apertou por trás, e em seguida a lançou na cama do local.

“O que ocorreu poderia acontecer com qualquer pessoa”, declarou o réu. “Nunca me passou pela cabeça tirar a vida daquela mulher. Depois de tudo, eu não sabia o que fazer”, afirmou, negando, também, ter arrancado as unhas dela.

Ele disse que fugiu de Manaus temendo por sua integridade física. O réu negou, ainda, ter ficado com o aparelho celular da vítima, disse estar arrependido e pediu perdão à mãe de Heloísa.

O interrogatório terminou às 15h45 e às 15h51 começaram os debates entre acusação e defesa, iniciando com a promotora de Justiça Clarissa Moraes Brito.

O crime

 

De acordo com os autos, Heloísa Medeiros da Silva foi encontrada morta no dia 15 de dezembro de 2019, mas a perícia apontou que a morte dela ocorreu entre os dias 13 e 14.

As investigações mostraram que a vítima e o acusado se encontraram no dia 12 daquele mês, em um bar. Depois, eles seguiram para a residência da avó dele, situada na Rua Miranda Leão, no Centro de Manaus, local onde o corpo de Heloísa foi encontrado.

Segundo a perícia, a morte de Heloísa foi provocada por asfixia decorrente de ação contundente que gerou trauma na região raquimedular.

Suspeito do crime, Michel chegou a passar um período foragido, até ser preso, no Estado do Maranhão. Mas foi capturado e transferido para Manaus.

Nesta quinta, o TJAM listou os crimes pelos quais o homem responde. “O réu foi pronunciado pela Justiça como incurso nas sanções do art. 121 (matar alguém), parágrafo 2.º, incisos III (por asfixia) e VI (crime contra a mulher por razões da condição de sexo feminino), combinado com o parágrafo 2.º-A, inciso II (menosprezo ou discriminação à condição de mulher) e art. 211 (ocultação de cadáver), todos do Código Penal Brasileiro”, informou o tribunal.

G1AM