Justiça marca julgamento de ex-líder de facção amazonense acusado de comandar chacina em presídio, em Manaus

A Justiça do Amazonas marcou para segunda-feira (26) o julgamento da ação que tem como réus Gelson Lima Carnaúba, Marcos Paulo da Cruz e Francisco Álvaro Pereira, acusados de participação em uma chacina ocorrida em 2002 no Complexo Prisional Antônio Jobim (Compaj), em Manaus.

Segundo o Ministério Público, o massacre foi comandado por Carnaúba, teve duração de cerca de 13 horas, e deixou 12 detentos mortos.

Além de participar desse caso, Carnaúba é apontado pelas investigações como um dos fundadores de uma facção criminosa amazonense que, antes de entrar em declínio, chegou a se tornar a terceira maior do país. Desde 2015, ele está detido em um presídio federal de segurança máxima.

O detento já tinha sido condenado a 191 anos de prisão, em 2013, mas a defesa recorreu da decisão, e o julgamento foi anulado. Desde então, a Justiça vem tentando realizar um novo julgamento, que já foi adiado em quatro ocasiões.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Carnaúba participará do julgamento de forma virtual, enquanto os outros dois réus estarão presentes no Fórum Henoch Reis, na Zona Centro-Sul de Manaus.

Líder de facção

 

Anos após participar da chacina na unidade prisional, Carnaúba ajudou a formar uma facção criminosa que chegou a se tornar uma das mais perigosas do país.

A rota do Norte pela fronteira com Peru, Colômbia e Venezuela, como porta de entrada marítima de drogas e armas, seria utilizada pela organização criminosa para a realização de negócios com outras facções. O grupo, segundo a PF, tinha, ainda, contatos com políticos, advogados, vereadores e membros do poder público..

Em 2015, a facção foi foco da Operação La Muralla da Polícia Federal, quando foram cumpridos 127 mandados de prisão – entre eles o de Carnaúba.

G1AM