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Marcha das mulheres negras lota orla de Copacabana neste domingo

Evento tem como tema pela vida, direitos, dignidade e por uma sociedade justa e antirracista. Mais mulheres negras no poder!

Rio – Acontece neste domingo (31), na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, a VIII Marcha das Mulheres Negras, tendo como tema ‘Pela vida, direitos, dignidade e por uma sociedade justa e antirracista. Mais mulheres negras no poder!’.

O evento, que iniciou às 10h, começou no Posto 3 da praia e seguiu até o Posto 1. A marcha conta com dois carros de som e contará com diversas apresentações de artistas como As Filhas de Gandhy, Òrúnmìlà, Samba Brilho e o Grupo Só Damas na Praça Heloneida Studart.

Veja o manifesto do evento:
Mulheres Negras em marcha: Pela Vida, Direitos, Dignidade e por uma sociedade justa e antirracista. Mais mulheres negras no poder!

Mais uma vez estamos em Marcha, dessa vez duas questões se sobrepõem a tantos outros pontos de nossas reivindicações. De forma alguma nos esquecemos que nós, mulheres negras somos as principais vítimas do feminicídio, da violência doméstica, da mortalidade materna, do desemprego. Que seja nas áreas urbanas ou rurais, disputamos a vida nas cidades sob inúmeras injustiças, no entanto, definimos como algo que devemos evidenciar nesta marcha é que a nossa luta por direitos tem a ver com ocuparmos os espaços de poder e decisão na política representativa ( partidária).

Também retomamos o quanto continuamos a viver ,em vários setores das nossas vidas, os impactos da pandemia do Coronavírus, que ainda não acabou, mas que não vemos aquelas questões que foram salientadas por deixar a comunidade negra em maior vulnerabilidade. Falamos falta de comida, de falta de acesso a água e outras urbanidades, falta de política habitacional, falta de acesso à internet, falta de política educacional com foco nas nossas crianças adolescentes e jovens adequadas ‘a realidade vivida neste momento.

Diante dessas questões nos posicionamos, reconhecendo que o Brasil apresenta um entrelaçamento entre a desigualdade econômica e disparidade de acesso a direitos no curso da história, que aparece mais explicitamente se consideramos as questões de raça, gênero, idade e orientação sexual. Em momentos de crise, essas desigualdades, que são estruturais, destacam-se ainda mais porque afetam segmentos étnico-raciais e sociais que constroem as suas vidas em meio a injustiças e violências.

Estamos aqui, de pé, em marcha, Somos mulheres pretas desafiando a branquitude, construindo táticas de avanço, questionando as práticas e respostas que provocam o fortalecimento das estruturas e organizações de poder, privilégios e vantagens. Enquanto marchamos estamos realizando o deslocamento da falta de representatividade para a visibilidade e a audibilidade políticas.

ESTAMOS EM MARCHA para dizer ao poder público e ao ESTADO BRASILEIRO que reconhecemos que estar nos partidos políticos e não é uma relação fácil de ser feita, já que o racismo garante aos brancos uma posição privilegiada na sociedade, e até aqui, não observamos interesse da branquitude em renunciar a benefícios e privilégio que historicamente as engrenagens racistas da sociedade lhes garantem. No entanto, entendemos que quando esses partidos realizam engajamento na luta ANTIrracista, ANTImachista, ANTIlbtfóbica, para nós significa compromisso com a democracia, com o bom desenvolvimento econômico, social, político isso porque entendemos que só é possível haver democracia PARTIDÁRIA, COM participação EQUÂNIME DAS MULHERES NEGRAS.

O impacto da pandemia na maioria da população negra foi avassalador!!!

O atual cenário apontou, no Brasil, para uma conjuntura de saúde que já estava em processo de sucateamento, tornando os serviços prestados caóticos para a maioria da população que utiliza da saúde pública, a pandemia (Covid-19) agravou esse quadro. Por outro lado, em atitude de reação e luta, a pandemia levou organizações e coletivos liderados por mulheres negras a estabelecerem estratégias e políticas de enfrentamento às muitas consequências que atingiram a população negra a partir de apoio comunitário mútuo sobre o qual se consolida o nós por nós.

Apesar das vulnerabilidades e carga de desigualdade que o racismo nos impõe, nós, mulheres negras, queremos seguir vivas, em resistência , mas também em Bem VIVER , abraçando o compromisso da ação que vise nosso fortalecimento comunitário e das nossas bases culturais, científicas, filosóficas de modo que, como construtoras de nossa próprias narrativas, façamos a renovação das consciências e promovendo novas reflexões e novos projetos de transformação social que tenham por base nossos valores ancestrais , o antirracismo, a emancipação e empoderamento das mulheres negras.

ODIA