Mulheres se preparam para a temporada de pesca esportiva, no Amazonas

As águas dos rios do Amazonas, que antes era um cenário dominado por homens, estão sendo conquistadas cada vez mais por mulheres que praticam a pesca esportiva. O grupo Amazon Girls Fishing, composto por mais de 60 pescadoras, foi fundado em 2018 e está pronto para a temporada de 2022.

De acordo com o presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), Gustavo Sampaio, a expectativa para a temporada, que inicia em setembro e vai até março de 2023, é receber inúmeros turistas, além de gerar uma receita direta para o estado.

“Estamos na expectativa de superar os números anteriores à pandemia. De acordo com nosso departamento de estatística, devemos receber em torno de 32 mil turistas e alcançar cerca de 160 milhões de movimentação direta durante esses sete meses de atividade de pesca esportiva no Amazonas”, destacou o presidente.

Apaixonada pela pesca esportiva, que une preservação e esporte, a estudante de radiologia Kelly Ferreira conta que decidiu, junto com uma amiga, criar um grupo de mulheres pescadoras. “Geralmente, a gente tenta fazer os eventos para aproximar a mulherada, porque tem aquela coisa da união, de unir a mulherada, unir força para estar pescando, para estar se conhecendo”, explicou.

A pescadora esportiva relatou que o grupo foi importante durante a pandemia da Covid-19, mesmo quando não podiam se reunir para pescar. “Esse é o objetivo do grupo, além da pescaria, além da preservação e tudo, a gente se ajudou muito na pandemia umas às outras aconselhando”, lembrou.

Neta de pescador, a empresária Fabiana Mendonça, que também faz parte do Amazon Girl Fishing, revela que iniciou na pesca predatória há 15 anos, mas depois que teve contato com o esporte não tira mais a vida de nenhum peixe durante a pesca.

“Com o tempo eu fui me informando mais sobre a preservação, a consciência de não matar o peixe. Os botes, a lancha, o equipamento, você vai entrando num mundo tão gostoso de conhecimento, que eu me entrego por inteiro, assim, hoje em dia, a pesca já faz parte da minha vida, eu acordo pensando em pesca e durmo pensando em pesca”, contou.

Fabiana Mendonça e Kelly Ferreira se preparam para a temporada de pesca esportiva no Amazonas — Foto: Fotos: Janailton Falcão/Amazonastur

Dominando as águas

 

As mulheres do grupo se reúnem e agregam mais adeptas que querem participar da pesca sem um ambiente rodeado por homens. “Às vezes, a esposa sai com o marido, mas ele está com os amigos. Então, assim, nós podemos ir juntas na nossa lancha, no nosso bote e os maridos também vão no deles. Então, todo mundo vive feliz para sempre, né? É uma coisa que dá pra agregar essa aceitação”, destacou Fabiana Mendonça.

Conforme a Amazonastur, atualmente, o público feminino é respeitado e chamado para eventos e competições, sejam segmentadas ou mistas, de acordo com Fabiana. “A gente está ali atrás da pesca, do respeito, da aceitação. Então, assim, hoje eu posso dizer, há 15 anos atrás não posso falar, mas hoje eu me sinto incluída num esporte misto, tanto feminino quanto masculino”, ressaltou.

As pescadoras esportivas fazem um convite para as mulheres que desejam começar a participar dessa modalidade. “Galera, mulherada, não tenha medo. Esse não é um esporte de sete cabeças, já não é um esporte exclusivamente masculino, muito pelo contrário. Então, se arrisquem, se joguem na aventura e, com certeza, vocês vão amar esse esporte porque, além de tudo, é preservação da Amazônia, é a cara do nosso Amazonas”, afirmou Kelly Ferreira.

“Meninas, vamos levantar do sofá. Feijão a gente faz amanhã, tá? Vamos à pesca, vamos nos divertir, todo mundo tem esse direito. Não sei pescar? A gente aprende, todo mundo está aqui pra aprender. É fácil”, estimulou Fabiana.

Kelly Ferreira e Fabiana Mendonça incentivam mulheres a entrarem na pesca esportiva — Foto: Janailton Falcão/Amazonastur

História de Pescador

 

Quem pesca sempre tem uma história para contar e com as mulheres não seria diferente. Do tempo em que pratica a pesca esportiva, Kelly Ferreira descreve o momento que mais marcou sua trajetória. “Eu capturei o meu maior tucunaré, que talvez não seja o maior para muitos, mas pra mim foi sensacional”, lembrou.

Já para Fabiana Mendonça, a história marcante aconteceu quando foi retornar para o bote no qual estava e uma garatéia – aparelho de pesca que tem três ou mais anzóis na extremidade da linha – ficou presa na panturrilha. “E aí com o sangue quente, ali na hora mesmo, a gente pega o alicate e resolve o problema, porque não dá pra pegar um barco e voltar em algum lugar para tirar, né? Então faz parte da vida do pescador saber resolver seu problema e ali mesmo eu arranquei a garatéia”, disse.