Psiquiatra diz que Flordelis tem ‘adoecimentos mentais’


Julgamento de Flordelis: veja o que aconteceu

Julgamento de Flordelis: veja o que aconteceu

A ex-deputada federal Flordelis e mais quatro réus por envolvimento na morte do marido dela, o pastor Anderson do Carmo, são julgados no Tribunal de Júri de Niterói desde segunda-feira (7).

Anderson foi morto a tiros na residência da família, em Niterói, em junho de 2019. Além da ex-parlamentar, são julgados ainda sua filha biológica Simone dos Santos, a neta Rayane dos Santos e os filhos afetivos André Luiz Marzy Teixeira.

Flordelis é acusada de ser a mandante do crime e responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada.

Mary, Simone e André Luiz respondem por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e associação criminosa armada.

Rayane por homicídio triplamente qualificado e associação criminosa armada.

As partes convocaram 29 testemunhas — o número pode variar com base nas estratégias dos advogados. Até o início da noite desta sexta-feira (11), 13 testemunhas de acusação e 10 de defesa haviam sido ouvidas.

Veja abaixo o que disseram e o que de mais relevante ocorreu no Tribunal do Júri. Clique nos links para ler mais sobre cada detalhes do julgamento.

1º dia de julgamento (segunda, 7/11)

 

  • O primeiro dia de julgamento durou mais de 11 horas. Quatro testemunhas foram ouvidas, uma delas convocada de última hora.
  • Flordelis chegou ao Fórum de Niterói por volta das 8h. No banco dos réus, a missionária chorava muito — sobretudo quando viu parentes na plateia.
  • A delegada Bárbara Lomba, responsável por parte do inquérito que investigou a morte de Anderson do Carmo, foi a 1ª a depor e falou por cerca de 6 horas. Ela disse que não foi confirmado o episódio de violência sexual dentro da casa, conforme alegado pela defesa de Flordelis. A policial alegou que Flordelis afirmou para a imprensa que o caso era um latrocínio (roubo seguido de morte), mas que não teria dito o mesmo para a polícia.
  • O delegado Allan Duarte Lacerda, que concluiu as investigações, foi o segundo a ser ouvido. Ele narrou algumas supostas tentativas de envenenamento malsucedidas e que teriam sido promovidas por Marzy Teixeira, filha adotiva de Flordelis. Contou também que houve uma tentativa de contratação de pistoleiros para executar o pastor.
  • Regiane Ramos Cupti, ex-patroa de Lucas César dos Santos, um dos filhos adotivos da pastora, disse que havia dois grupos na casa de Flordelis, um de “privilegiados” e outro de “escravos”. Contou também que sofreu uma tentativa de atropelamento feita por uma das netas da pastora.

2º dia de julgamento (terça, 8/11)

 

  • Três testemunhas foram ouvidas; foram mais de 11 horas de depoimentos novamente. O 2º dia começou com uma 1 hora e 37 minutos de atraso porque André Luiz, um dos réus, não foi listado para a transferência até o fórum pela Secretaria de Administração Penitenciária.
  • O inspetor Tiago Vaz de Souza foi convocado como testemunha do assistente de acusação. Ele citou privilégios que existiriam dentro da casa entre os filhos e citou tentativas anteriores para tentar matar Anderson, que incluem envenenamento e até a tentativa de contratação de um pistoleiro. O policial também especificou que, segundo a investigação, Flávio dos Santos Rodrigues, filho de Flordelis, pagou R$ 8,5 mil pela arma utilizada para matar Anderson.
  • Alexsander Felipe Matos Mendes, filho afetivo de Flordelis, que também era chamado de Luan no núcleo familiar da ex-deputada, pediu para ser ouvido por videoconferência. “Eu não sei qual seria minha reação”, disse. Ele reforçou que havia facções diversas dentro da casa de Flordelis: “Quando você era contra Flordelis e quem estava com ela, você era o próprio demônio. Era time A e time B, time do bem e time do mal”, disse ele. Contou ainda que, após o enterro do pastor, Flordelis teria dito: “Estou livre“.
  • A segunda testemunha da acusação foi Wagner Andrade Pimenta, filho afetivo da ex-deputada. Ouvido por videoconferência, ele falou sobre alguns rituais que presenciou na casa, inclusive da renomeação dos seus membros: “Wagner morreu e você agora é o Misael”. Wagner relatou ainda que Anderson era menor de idade quando começou a namorar Flordelis.
  • Pouco depois do início do depoimento de Wagner, Flordelis precisou de atendimento médico. Ela teve um mal-estar e vomitou, mas depois de 15 minutos conseguiu voltar ao plenário.
Réus: Marzy Teixeira, ao fundo, Rayane dos Santos, Simone dos Santos (de óculos). À frente, Flordelis e o filho André Luiz — Foto: Brunno Dantas/TJRJ

Réus: Marzy Teixeira, ao fundo, Rayane dos Santos, Simone dos Santos (de óculos). À frente, Flordelis e o filho André Luiz — Foto: Brunno Dantas/TJRJ

3º dia de julgamento (quarta, 9/11)

 

  • A primeira a depor foi Luana Pimenta, nora da ex-deputada e mulher de Wagner Pimenta, o Misael. Ela citou um plano confidenciado a ela por Marzy: ‘Matar o Anderson vai resolver o problema de todo mundo. Ele é muito rigoroso, ninguém é feliz naquela casa’. Luana ainda contou que se dedicou muito a Flordelis, e que a pastora foi uma “decepção” para ela.
  • Daniel dos Santos de Souza, filho adotivo de Flordelis e Anderson do Carmo, depôs por videoconferência. Ele confirmou que sabia de um plano para matar o pastor, e que o próprio Anderson sabia da existência do complô. Relembrou ainda a noite da morte do pastor: “Eu me lembro de ouvir seis disparos. Teve intervalo sim, entre os tiros. A minha mãe, Flordelis, gritava, que tinham matado o marido dela”.
  • Terceira a depor, Daiane Freires, filha afetiva de Flordelis , contou que soube que uma irmã, Kelly, era abusada por Anderson do Carmo. Kelly teria contato para a mãe e ouvido: “Se a mulher está ciente que o marido procura outra, não é pecado“.
  • Em seguida foi a vez de Raquel Silva, neta de Flordelis e filha de Carlos Ubiraci, outro réu do caso e que já foi julgado, falar. Ela disse que chegou a receber uma espécie de treinamento com uma psicóloga para uma simulação de um interrogatório. Raquel relatou ainda que o lema dos “familiares preferidos” era “negue até a morte. Contou que os filhos favoritos ganharam um Iphone após a morte do pastor, e que Flordelis costumava usar um taco de beisebol para bater.
  • À noite, Simone dos Santos, filha biológica de Flordelis e também ré no processo, passou mal e precisou ser retirada do plenário. Ela foi levada a uma sala anexa para receber atendimento médico. O julgamento não precisou ser interrompido. Simone faz tratamento contra um câncer, em estado de metástase.

4º dia de julgamento (quinta, 10/11)

 

  • O produtor artístico Allan Soares, namorado de Flordelis, acompanha todos os dias de julgamento.
  • Roberta dos Santos, filha afetiva de Flordelis e primeira testemunha ouvida no 4º dia, afirmou que tudo o que acontecia na casa tinha a permissão da pastora. Questionada se a ex-deputada mandou matar Anderson, respondeu: “Com certeza.”
  • Rebeca Vitória Rangel Silva, sobrinha de Anderson e neta adotiva da ex-parlamentar, disse que depoimentos foram simulados para inocentar Flordelis como mandante da morte. “Diziam: ‘Tem que falar a favor da Flordelis’.”
  • Erica dos Santos de Souza, filha adotiva de Flordelis, contou que Rayane perguntou se ela tinha “o contato de algum bandido”, mas não explicou o motivo.
  • Thayane Dias foi a primeira testemunha de defesa ouvida no julgamento. Ela negou que Flordelis sequestrasse crianças para criar com sua família: “Nos 28 anos vivendo com ela, eu nunca a vi roubar nenhuma criança.”
  • Diogo Bagano Diniz Gomes, médico oncologista que atendeu a ré Simone Santos no Albert Einstein, em SP. Ele falou sobre o tratamento dela e como ficou seu quadro de saúde até ser presa.
  • O desembargador Siro Darlan foi outra testemunha de defesa convocada pelos advogados de Flordelis. Darlan contou como ajudou a fiscalizar as crianças em poder de Flordelis quando era juiz da Vara de infância e juventude no Rio de Janeiro. Ela abrigava ao menos 25 crianças e morava em um barraco no Jacarezinho, mas, após ajuda, conseguiu se mudar para o Rio Comprido e regularizar a situação perante à Justiça.
  • Também ouvido, o perito Sami El Jundi — o mesmo contratado pela defesa de Dr. Jairinho para o caso Henry Borel — foi chamado para analisar o laudo de necropsia de Anderson. O corpo tinha 30 ferimentos, um deles na cabeça: “Esse tiro matou instantaneamente” e foi a curta distância, cerca de 50cm ou 60cm. Falou ainda que Anderson recebeu vários tiros na região genital. “Tinha um objetivo de destruir o que estava ali, indicando natureza sexual, sim. Raiva e destruir o que estava ali”, confirmou o perito ao ser questionado.

5º dia de julgamento (sexta, 11/11)

 

  • O primeiro a ser ouvido no 5º dia foi o psicólogo Sidnei Filho. Ele comentou sobre um suposto comportamento violento de Anderson com Flordelis e como isso poderia afetar os filhos do casal: “A consequência da violência para os filhos pode ser imediata ou atrasada: demora anos para a gente perceber comportamentos violentos na criança”, disse em depoimento.
  • O psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro relatou que Flordelis “apresenta vários adoecimentos mentais” decorrentes “de problemas físicos graves” supostamente causados pelo pastor. Hewdy listou alguns transtornos, entre eles, depressivo-grave e de estresse crônico, além de síndrome de Estocolmo. Já Marzy, segundo ele, possui transtorno afetivo-bipolar e síndrome de maus-tratos, que seria o resultado de abusos sexuais dos 8 aos 16 anos.
  • Erica Dias, filha afetiva de Flordelis , afirmou que a “mãe” era submissa ao pastor Anderson do Carmo. Falou que chegou a presenciar um episódio de abuso do pastor contra Kelly e que esta, ao reclamar e dizer “Você não pode fazer isso, você é meu pai”, ouviu de Anderson: “Eu não tenho filho barbado”.
  • O empresário Marcos Silva de Lima foi ouvido como testemunha de defesa. Ex-namorado de Simone, ele disse que Anderson era extremamente ciumento com a filha, a ponto de proibi-lo de frequentar a casa. Marcos disse ainda que Simone relatou uma vez que Anderson tentou agarrá-la e que ela já teria mencionado que pensava em se matar.
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G1