Amazonense pioneira na luta pelos direitos das mulheres morre aos 80 anos em Manaus

No dia 29 de dezembro de 1976 o jornal A República informava que uma vereadora de Manaus havia promovido um almoço de fim de ano para 100 “meninas” que trabalhavam em sete bordéis de ou faziam o “trottoir” nas ruas da cidade. E que a vereadora já havia promovido manifestações das prostitutas em frente ao Palácio do Governo e na Assembleia Legislativa contra um delegado que havia mandado raspar as cabeças de todas as mulheres que fossem encontradas em prostituição.

A vereadora era Otalina Aleixo e a matéria dizia que o banquete foi um “tremendo sucesso” com tambaqui ao forno, churrasco de frango, risoto de vitela, churrasco de carne, farofa preparada com farinha do uarini típica da região, além de molhos e tortas variadas de sobremesa. Entre os presentes para as convidadas, cartões de consultas com direito a atendimento gratuito em uma clínica.

A matéria informava que o grande sonho de Otalina era construir a Casa da Mãe Solteira. E acenava com os resultados do seu trabalho: nada menos que 314 prostitutas já estavam pagando a Previdência Social e outras 85 haviam abandonado a profissão, passando a trabalhar em indústrias da Zona Franca, que conseguiram mediante um termo de responsabilidade assinado pela vereadora, que declarou nada temer pela ação.

Otalina morreu neste domingo, dia 27 de outubro de 2019, aos 80 anos. É mãe biológica de 24 filhos e adotiva de outros 18. Era viúva do advogado e ex-deputado estadual Raimundo Aleixo e foi umas das primeiras a apoiar Gilberto Mestrinho no período de redemocratizacão. Mantinha há pelo menos 20 anos a luta contra o câncer de mama. O velório está sendo realizado na sede da Igreja Assembleia de Deus Tradicional, na rua Duque de Caxias, bairro Praça 14 e o enterro ocorrerá nesta segunda-feira, às 11h,no cemitério São João Baptista. O prefeito de Manaus, Arthur Meto, decretou luto oficial de três dias.

Fonte: Portal 18 horas