Estoque reduz e alta do preço de frutas e verduras deve ser repassada para consumidores em Manaus, dizem feirantes

Aumento dos preços é percebido em alimentos in natura de outros estados.

Os preços das verduras, legumes e frutas pagos aos fornecedores pelos comerciantes dispararam nos últimos dias em Manaus. O motivo: a falta de estoque. O abastecimento desses alimentos, que são fornecidos por estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste, tem reduzido com a greve dos caminhoneiros.

A previsão dos comerciantes é que a oferta de alguns itens sofra impacto e reajustes sejam repassados ao consumidor amazonense, a partir desta segunda-feira (28).

Segundo a Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), o setor já é impactado com encarecimento de insumos. Falta estoque de milho e farelo de soja, que é transportado do Mato Grosso e serve de alimento para animais. Em dois ou três dias as aves serão impactadas.

Localizada no Centro de Manaus, a Feira da Banana é uma das principais da capital. Na manhã de nesta segunda-feira, a principal preocupação dos feirantes era com estoque de verduras, legumes e frutas importadas de outros estados.

Preços

Segundo a Comissão Gestora da Feira da Banana, os reflexos no abastecimento de produtos naturais começou ser sentidos. A saca de cebola, por exemplo, que custava até R$ 70 agora é vendida por R$ 150. Se o preço aumentou, por outro lado a quantidade de alimentos in natura reduziu.

“Vai começar a falta cebola, batata, cenoura, uva, maçã. Quase todos os produtos vêm de outras regiões do país e não conseguem chegar aqui”, disse o presidente da Comissão Gestora da Feira da Banana, Moacir Cintrão.

“Agora, pouca mercadoria vai conseguir chegar do Centro-Oeste e Sudeste. A partir de hoje os preços vão aumentar porque teremos que reajustar os preços de venda para repassar o aumento que teremos”, afirmou o feirante.

Na feira do Porto da Ceasa, na Zona Sul de Manaus, os comerciantes têm se desdobrado para manter os preços. Uma caixa de tomate que custava R$ 70 saltou para R$ 100. O valor da saca de batata inglesa dobrou, de R$ 100 para R$ 200. O saco de cebola era R$ 95 passou para R$ 130.

Comerciante tentou abastecer loja de hortifruti com produtos antes de aumento nos fornecedores (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Comerciante tentou abastecer loja de hortifruti com produtos antes de aumento nos fornecedores (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Apesar dos aumentos nos fornecedores, o comerciante Marcioney da Silva, de 46 anos, disse que ainda não repassou o custo para o consumidor.

“Ainda não reajustei porque quando fiquei sabendo que iria aumentar no fornecedor corri para comprar algumas caixas e sacas com preço antigo. Não faltou os produtos nos últimos dias, mas aumentaram os preços. Acho que teve muito oportunismo de fornecedores nesse momento das dificuldades de transporte das mercadorias”, afirmou o comerciante.

Nos supermercados da capital também já há frutas, verduras e legumes mais caros. O G1 constantou aumentos em algumas redes com a venda de cebola e tomate, por exemplo.

A crise no abastecimento não deve impactar os alimentos in natura regionais. A banana, mamão, maracujá não serão afetados.

Já a melancia deve ter oferta reduzida por conta do término da safra em Boa Vista (RR), pelas dificuldades de transportar a fruta de Mato Grosso e de outros estados do Brasil para o Amazonas.

“A banana é o único produto que temos certeza que não vai faltar. Porém, a banana pacovã vai diminuir a quantidade disponível nas feiras por causa da safra e da cheia” , comentou Moacir Cintrão.
Não houve redução nos estoques de produtos regionais nas feiras (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Não houve redução nos estoques de produtos regionais nas feiras (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Veja os principais reflexos da paralisação no estado:

Combustível

Com medo do desabastecimento, motoristas chegaram a fazer filas em postos para garantir o combustível desde a noite de quinta-feira, quando o litro da gasolina comum chegava a R$ 4,89, enquanto a aditivada estava a R$ 4,99.

Transporte

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), a capital tem cerca de 1,3 mil coletivos, 100% deve circular, segundo sindicato.

Alimentos

Não ocorreu desabastecimento por conta greve. O Sindicato dos Feirantes do Amazonas informou que 80% dos alimentos chegam a Manaus de outros estados.

Educação

As aulas foram suspensas em quase 500 escolas da rede municipal de ensino de Manaus, na sexta-feira e normalizadas nesta segunda. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) informou que as atividades também foram suspensas.

Uma rede de supermercados orientou consumidores a comprar até cinco unidades de cada produto para evitar desabastecimento em Manaus. Cartazes com o comunicado alertam sobre a medida, que ocorre em razão dos impactos da greve de caminhoneiros.

Fonte: G1